sangue e um sorriso no rosto

ainda não sei o que aconteceu, mas sinto uma sensação diferente. algo em mim não é mais o mesmo. depois do som, um sentimento diferente. um vulto e um rápido deslocamento do ar. um sibilo. depois do impacto, uma alegria descabida. escorre. vaza.

muito sangue e um sorriso no rosto.

e a sensação. ao escorrer entre meus dedos, minhas mãos em meu peito, o sorriso logo se escancara. sem controle. sentimentos sem sentidos, desmedidos, perguntas sem respostas, um sorriso no rosto, tua imagem em minha cabeça.

e uma flecha no coração.

como?

quando o tempo não cabe em si
e as palavras não cabem em mim
me permito esboçar os pensamentos da noite
elucubrações mal terminadas
por vezes mal começadas
mas se permites ouvir
e muitas vezes sorrir

como dizer
sem ser?
como agir
sem sentir?

um sentir desmedido
em nós cabido
faz em ti, morada

como dizer sem ser?
sonhas à procurar quem gostas
um sentimento de angústia
diante de um rosto esquecido

como agir sem sentir?
acordas e achas aquele gostas
um sorriso no rosto ao lembrar dos dias passados

– como?
nos perguntamos todos os dias
– achastes?
– achei!

quando o tempo não cabe em nós
em meio aos achados e perdidos de
rostos em meio à multidão
por que guardar o que se sente
se se pode achar um correspondente?